A importancia da Fotografia!

PARTE 1

A fotografia é um meio de expressão, pode ser usada de variadas formas, no jornalismo ampara as notícias, em revistas mostra a vida de celebridades ou locais paradisíacos, em anúncios, relatórios, sites, palestras e em tantos outros meios com finalidades diversas. Aqui tratarei da fotografia como apoio na comunicação e no marketing de empresas, ou seja, como ferramenta para compor a imagem de uma corporação, de seus produtos e serviços junto aos públicos envolvidos.

Provavelmente o maior diferencial da fotografia, quando comparada a outras formas de construção de imagem, como a ilustração e o design, é o fato dela ser realista por natureza, temos a tendência a interpretar uma fotografia como algo real, palpável e verdadeiro, se o produto é bonito na foto assim nos parece ser a realidade, se uma empresa parece bem organizada, limpa e produtiva na foto, assim é a impressão que teremos dela.

Essa associação entre imagem fotográfica e realidade é o ponto forte da fotografia que permite passar conceitos tangíveis e intangíveis, e que serão diretamente associados àquilo que veremos ao pegar o produto em mãos, experimentar o serviço ou visitar uma empresa. Por isso, se há algo real que deva ser comunicado sobre uma empresa, produto ou serviço, a fotografia é a primeira forma de representação que deve ser pensada, e mesmo para questões intangíveis, como por exemplo o conceito de seriedade, a fotografia pode mostrar claramente quando uma empresa quer mostrar sobriedade, ou quando ao contrário quer mostrar descontração e leveza.

Vamos aos exemplos que facilitarão a visualização deste texto. Comecemos por um restaurante cuja realidade seja de um ambiente aconchegante, familiar, que serve boas massas italianas, ambiente nem luxuoso nem despojado. Boas fotografias de seus ambientes que mostrem essas características, assim como belas fotos dos pratos servidos irão mostrar aos potenciais clientes de forma rápida, tudo o que eles precisam saber, não haverá dúvidas sobre a promessa do restaurante, ninguém imaginará se tratar de um local onde é servido fast food ou comida libanesa, por outro lado estará evidente que não é um mega restaurante gigantesco e barulhento, nem será um local tão luxuoso onde você se sentirá desconfortável caso vá trajado informalmente, vejam quantas informações foram comunicadas pela fotografia.

Essas fotografias devem estar no site e nos anúncios feitos em mídia impressa, pois fornecerão aos possíveis clientes uma imagem rápida, real e interessante. Importante notar que a imagem da empresa deve ser coerente em todas as mídias utilizadas pois estéticas e linguagens diferentes poderão levar a incoerências na mensagem.

Vejamos outro caso, uma empresa cujo maior diferencial é ser líder em tecnologia em seu segmento, os equipamentos fazem a diferença sobre seus concorrentes, portanto fotografias que mostrem o avanço tecnológico, computadores e máquinas, irão comunicar aos clientes quais são os valores e diferenciais. Num outro extremo, uma empresa cujo diferencial seja a alta capacidade de seus funcionários, mesmo que sem os maquinários mais modernos deve ser fotografada evidenciado o aspecto humano e não o maquinário.

Nos dois casos, um direcionamento errado entre a fotografia e a realidade irá jogar contra a formação da imagem adequada, imaginem a empresa altamente tecnológica mostrar sua força humana, que não é sua realidade nem seu forte, e a empresa não tecnológica cujo valor são seus funcionários mostrando suas máquinas que não lhe agregam valor pois são obsoletas.

Assim, o fotógrafo, ao atender a empresa deve informar-se de quais são os valores e fundamentos que fazem dela uma empresa diferente e única, o mesmo vale para o empresário, ao contratar um fotógrafo que deverá ser informado da realidade, dos pontos fortes e daquilo que se espera que seja mostrado e valorizado. A fotografia não surge por mágica, ela é parte de um processo de comunicação e deve ser vista de forma estratégica, e por isso toda informação pertinente deve ser tratada entre fotógrafo e quem o contrata.

PARTE 2

É importante lembrar que a fotografia não funciona sozinha, ela sempre está inserida em contextos, podendo ser impressa num catálogo ou anúncio, exposta num pôster em uma feira de negócios, como chave de atenção dentro de um cardápio de restaurante, ser o elemento de destaque na decoração de um ambiente, figurar em um web site, entre outras possibilidades de usos e contextos que devem ser levados em consideração antes e depois da produção fotográfica propriamente dita. Uma fotografia adequada para decoração de uma sala nem sempre é indicada para ilustrar um catálogo, apenas para exemplificar.

Imagine ser contratado para produzir fotos que sirvam como elemento atrativo no site de uma empresa, e também se destinam à capa do catálogo da mesma. Imagens com essas finalidades podem ser mais artísticas, visando o impacto estético. Mas o cliente resolve que pode economizar um pouco e usar as mesmas imagens no interior do catálogo ou folder, assim não terá que pagar pela produção de outras imagens apenas para algo que é uma peça fundamental na mão de vendedores.

A decisão do cliente faz com que a equipe de vendas tenha que explicar os produtos para possíveis compradores pois a imagem não é óbvia nem clara, os vendedores também tem que levar amostras de tudo para demonstrar. Resultado, o cliente percebe seu erro ouvindo as reclamações dos vendedores e observando os gráficos de vendas apontando para baixo. Terá que chamar novamente o fotógrafo para produzir fotos mais evidentes e óbvias dos produtos. As imagens feitas anteriormente devem ser mantidas como capa e como elementos de atenção e decoração no site e nas salas da empresa, que afinal eram os usos originais pretendidos.

Um novo catálogo será impresso, os vendedores terão mais facilidade para concluir as vendas pois a imagem cumprirá com boa parte da informação. Este caso, real por sinal, exemplifica certos cuidados que uma empresa deve tomar, e quando não é hora de economizar, pois só na segunda impressão do catálogo houve um grande prejuízo.

As imagens comunicam muitas informações, se elas não forem adequadas, a equipe de vendas terá que gastar tempo explicando conceitos que poderiam estar nas fotografias. Assim sendo, boas e adequadas fotografias são peças de venda, influenciam nos resultados das empresas e devem ser vistas como parte das estratégias de comunicação e marketing.

A palavra chave é coerência, a fotografia deve ser coerente com o meio em que será inserida e com os propósitos pretendidos, se o que importa é mostrar um produto, ele deve estar inteiro, fácil de compreender. Se ao contrário a intenção é chamar atenção pela estética ou causar impacto, aí existem milhares de jeitos, podemos utilizar macro-fotografia captando um detalhe e assim abstrair o todo, podemos trabalhar com uma iluminação especial com cores não usuais e milhares de outras possibilidades, mas tudo isso depende do contexto da aplicação dessas imagens.

Concluo com duas dicas, você fotógrafo, informe-se sobre as intenções do cliente referentes ao material que será produzido, oriente seu cliente na escolha da linguagem fotográfica adequada. Você consumidor de fotografia, seja uma empresa de prestação de serviços, uma fábrica, uma agência de publicidade; converse com o fotógrafo sobre as possibilidades estéticas, os objetivos do trabalho e o que se pretende com as fotos contratadas. Ter uma comunicação afinada entre todas as partes envolvidas é a chave para que o trabalho seja coerente e possa atingir os objetivos desejados.

PARTE 3

Ao contratar um fotógrafo, é importante pensar e agir de forma coerente, não adianta contratar um especialista em fotografia de produtos para registrar seu casamento da mesma forma como não funciona buscar um especialista em casamentos para fotografar o catálogo de metalúrgica. Raramente cruzamentos de especialidade dão bom resultado, podem acontecer, mas serão casos específicos e raros.

Exatamente pelo que foi dito acima, outro fator a verificar é o grau de especialização do profissional, pois um fotógrafo deve ser hábil para lidar com um grande número de situações, mas deve ter um foco de atuação profissional que permita a ele conhecer um determinado setor e assim desenvolver uma linguagem fotográfica e uma maneira de trabalhar adequados ao segmento escolhido. Existem técnicas, estilos, equipamentos e maneiras de trabalhar próprias em cada mercado, não é a mesma coisa fotografar um editorial de moda e fazer o retrato de um empresário, assim como não é nada parecido fotografar esportes e indústrias. A linguagem é diferente, o meio onde as imagens serão inseridas tem características próprias que devem compreendidas e respeitadas.

Experiência é mais um item a ser avaliado, um profissional experiente tem um leque maior de soluções, sua vivência o credencia a buscar e apontar caminhos seguros e que tragam maior certeza de resultados para o cliente, por outro lado novos talentos podem surpreender, por isso ao buscar um fotógrafo, você pode contar com a segurança de alguém com vários anos de experiência no mercado e ter uma margem de risco menor, ou poderá contar com algum novo talento da fotografia que poderá até ser mais criativo ou inovador, mas com risco maior quanto aos resultados. Você, como contratante de um serviço que carregará a imagem de sua empresa, deve avaliar estes fatores antes de selecionar um profissional.

Para saber se o profissional é ou não especializado em um determinado assunto o melhor caminho é perguntar e pedir amostras de trabalho. O portfolio de um fotógrafo visto numa pasta ou num website dá idéia do que aquele profissional sabe fazer, mas nem sempre indica a totalidade de uma obra, então ao buscar um profissional para fotografar um parque fabril, peça a ele materiais sobre este assunto, se ele fez muitas vezes esse tipo de fotografia terá experiência e isso será aproveitado no trabalho.

Voltando ao que deve ou não ser alvo de uma fotografia, existem aspectos de linguagem fotográfica e da estética que devem ser considerados, por exemplo, você é o dono de uma charmosa mas pequena loja de presentes. Se o ambiente é pequeno, não adianta tentar mostrá-lo de outra forma, um fotógrafo pode fazer o ambiente parecer maior apenas com a escolha das lentes que vai utilizar, mas nunca uma saleta será um galpão, há limites no que pode ser transformado, lembre-se que a fotografia tende ao realismo, e seus clientes percebrão, ao entrar na loja, que foram de certa forma enganados.

Num raciocínio oposto, se você tem uma grande e confortável loja, mas cujo portfolio de produtos é apenas comum, vale mais mostrar o lugar e vender o conforto do ambiente do que destacar produtos que não acrescentem qualidade e diferenciais à sua loja. Existem outros caminhos, mas estes são exemplos que todos podem imaginar.

O que foi dito nos parágrafos acima refere-se a mostrar características tangíveis, ou seja, se a loja é grande, ela será percebida dessa forma pelo cliente nas fotos e comprovada na realidade, se o restaurante é aconchegante, se a indústria é ativa e moderna, tudo isso pode ser visto, e depois comprovado, desde que as imagens sejam coerentes com a realidade.

Já que citei a tangibilização de conceitos, pense nessas imagens: funcionários satisfeitos no trabalho, o proprietário sorridente de uma empresa, estudantes compenetrados numa sala de aula; tudo isso são motivos típicos para a fotografia, e vamos além, pessoas sorridentes e bonitas numa propaganda de casa noturna, uma bela jovem num cartaz de salão de beleza, um rapaz atlético no anúncio de uma academia, são todos conceitos reais e tangíveis que podem ser vistos e comercializados pela fotografia. Modernidade, tradição, desempenho, força, conforto, descontração, alegria, precisão e tantos outros conceitos podem ser tangibilizados pelo uso da fotografia como forma de expressão.

A fotografia é muito forte como meio de formação de opinião por transmitir a mensagem de forma direta e clara. Por um lado isso é altamente positivo pois não permite desvios de informação e de opinião dos consumidores, por outro inspira cuidados pois uma imagem mal escolhida transmitirá claramente conceitos inadequados. O fundamental para a fotografia é coerência, ela deve mostrar aquilo que o cliente deseja que seja mostrado, e este desejo deve ser coerente com a realidade da corporação, sua posição no mercado, sua comunicação junto ao público, sua missão, visão, valores e filosofia.

E para encerrar, vamos falar sobre ética, que na fotografia deve representar tudo o que acontece na relação entre quem contrata e quem presta o serviço de fotografia. Um profissional ético é aquele que informa seus clientes sobre os melhores caminhos a tomar, que assume quando não é capaz de executar uma tarefa solicitada e que nunca coloca em risco a imagem da empresa que o contrata.

Quando uma empresa contrata um fotógrafo, está depositando nas mãos e na visão deste profissional a sua imagem, que é um dos bens mais valiosos que ela pode ter, assim sendo, o fotógrafo tem obrigação de ser ético, consciente, responsável e fazer sempre o seu melhor, buscando criar fotografias que ajudem seus clientes a obter resultados em suas estratégias.

Acredito que estes aspectos sejam os pontos fundamentais quando é escolhida a fotografia como forma de expressão de uma empresa, existem outros inúmeros tópicos dentro deste assunto, e retornarei a ele em outras ocasiões. Só um último lembrete: devemos ter em mente que o papel da fotografia como construtor de opiniões tem limites, boas fotos ajudam muito, mas não irão manter um produto ou serviço ruim, ou um atendimento pós venda precário.

Armando Vernaglia Junior é fundador, diretor de arte e fotografia da SP Imagens, formado em publicidade e propaganda, especializado em marketing

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